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15 de Sep de 2026 • 10 min de leitura

Quem tem endometriose pode correr? Entenda com especialista quando é preciso adaptar o treino

Quem tem endometriose pode correr? Entenda com especialista quando é preciso adaptar o treino
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A corrida de rua nunca esteve tão em alta, mas nem toda mulher consegue praticá-la sem desconforto. Em pacientes com endometriose, exercícios de alto impacto podem aumentar a dor quando a doença compromete estruturas profundas da pelve. Isso não significa abandonar a atividade física, mas adaptar o treino ao quadro clínico.

Segundo o cirurgião ginecológico e pesquisador Dr. Igor Chiminacio, a atividade física não deve ser interrompida, mas individualizada de acordo com o quadro clínico de cada paciente.

"A prática regular de exercícios é importante e faz parte de uma rotina saudável. O problema não é se exercitar, mas insistir em modalidades que aumentam a dor em uma paciente que apresenta comprometimento das estruturas profundas pela endometriose", explica Dr. Igor Chiminacio.

De acordo com o especialista, a explicação está na anatomia da pelve. Pela Teoria do Polvo (Octopus Concept), desenvolvida por Dr. Igor Chiminacio e apresentada em publicação científica, o útero é sustentado por estruturas de colágeno chamadas paramétrios. Quando essas regiões são acometidas pela endometriose, tornam-se mais sensíveis à tração provocada pelos movimentos repetitivos de impacto.

"Durante uma corrida ou um exercício com saltos, o útero se movimenta repetidamente. Se o paramétrio está inflamado pela doença, essa movimentação pode aumentar a tração sobre tecidos já comprometidos, desencadeando dor e intensificando o processo inflamatório", afirma o especialista.

Por isso, exercícios como corrida, jump e outras atividades de alto impacto podem não ser a melhor escolha para mulheres que apresentam dor ativa relacionada à endometriose. Isso não significa que essas modalidades estejam proibidas, mas que podem precisar ser substituídas temporariamente por alternativas mais adequadas até que a doença esteja controlada.

Modalidades de menor impacto, como caminhadas, fortalecimento muscular orientado, pilates, exercícios funcionais adaptados e alongamentos costumam ser melhor toleradas durante períodos de maior sensibilidade. A escolha, porém, deve considerar a intensidade dos sintomas, o estágio da doença e a avaliação médica.

Outro ponto que merece atenção, especialmente durante o inverno, é o aquecimento corporal. Segundo Chiminacio, iniciar a atividade física com o corpo frio pode aumentar a rigidez muscular e potencializar o desconforto em mulheres sintomáticas.

"Fazer um aquecimento antes de sair de casa, realizar alguns minutos de alongamento ou exercícios leves e manter o corpo aquecido são medidas simples que podem ajudar no controle dos sintomas. A dor persistente nunca deve ser normalizada. Ela pode ser um indicativo de que a atividade precisa ser adaptada ou de que a doença ainda não está adequadamente tratada”, orienta.

A endometriose não deve afastar a mulher da prática de atividade física. O objetivo é encontrar modalidades compatíveis com cada fase da doença, permitindo que o exercício continue sendo um aliado da saúde, e não um fator de agravamento dos sintomas.