04 de Oct de 2026 • 10 min de leitura
"Cada criança tem seu tempo": quando o atraso no desenvolvimento precisa ser investigado
Dificuldades para falar, andar ou interagir podem ser atribuídas ao “tempo de cada criança” e acabar passando despercebidas nos primeiros anos de vida. Embora o desenvolvimento tenha variações individuais, atrasos persistentes ou a perda de habilidades já adquiridas precisam ser avaliados, já que podem ter diferentes causas e exigir acompanhamento.
O acompanhamento do desenvolvimento faz parte da rotina de saúde infantil e considera diferentes aspectos, como habilidades motoras, linguagem, interação e comportamento. A Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, também é uma ferramenta que ajuda famílias e profissionais a acompanhar os principais marcos e registrar dúvidas para as consultas.
“Cada criança tem seu ritmo, mas isso não significa que um atraso persistente deva ser ignorado. Quando uma habilidade não aparece, uma dificuldade continua ou a criança perde algo que já havia aprendido, é importante conversar com o pediatra e investigar”, afirma Hamilton Henrique Robledo, pediatra da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
Nos primeiros meses, dificuldade para sustentar a cabeça, pouca resposta a sons e vozes, pouco contato visual ou alterações importantes no tônus muscular podem chamar a atenção. Entre 6 e 12 meses, é preciso acompanhar habilidades como sentar sem apoio, tentar se deslocar, apoiar o peso nas pernas, balbuciar e responder ao próprio nome.
Depois do primeiro ano, a linguagem ganha peso nessa avaliação. Poucas ou nenhuma palavra, dificuldade para compreender comandos simples ou pouca iniciativa para se comunicar podem justificar uma investigação. Aos 2 anos, a combinação de palavras e a evolução do vocabulário são referências importantes. Mais tarde, também entram na observação a capacidade de conversar, brincar de faz de conta e interagir com outras crianças.
Sinais que merecem atenção
Primeiros meses: dificuldade para sustentar a cabeça, pouca resposta a sons e luzes, pouco contato visual, dificuldade de reconhecer pessoas conhecidas ou alterações importantes no tônus.
6 a 12 meses: dificuldade para sentar, apoiar o peso nas pernas, escalar e ficar em pé, balbuciar, responder ao nome ou interagir.
1 a 2 anos: atraso nas primeiras palavras, dificuldade para compreender comandos ou andar de forma independente.
A partir dos 2 anos: pouca evolução da linguagem, dificuldade de interação ou ausência de habilidades esperadas para a idade.
“Um atraso no desenvolvimento não significa, necessariamente, a presença de um transtorno. As causas podem ser variadas e envolver fatores genéticos ou neurológicos, complicações na gestação ou no parto, infecções, alterações auditivas e outras condições. Por isso, a avaliação considera o conjunto do desenvolvimento, e não apenas uma habilidade isolada”, pondera Robledo.
O primeiro passo é procurar o pediatra, que pode acompanhar a evolução e indicar outros profissionais quando necessário, como neuropediatra, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo ou especialista em audição. A Caderneta da Criança também ajuda a acompanhar os principais marcos e registrar dúvidas para as consultas.
Mais importante do que comparar uma criança com outra é observar sua própria evolução. Quando uma habilidade esperada não aparece, uma dificuldade persiste ou uma capacidade já adquirida é perdida, a orientação é investigar, em vez de apenas esperar.
Sobre a Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo
No Brasil desde 1922, a São Camilo pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, fundada por São Camilo de Lellis. Além de hospitais, conta com Centros de Educação Infantil, Colégios e Centros Universitários.
As Unidades Pompeia, Santana e Ipiranga fazem parte da Rede de Hospitais de São Paulo, que prestam atendimentos em mais de 60 especialidades e cirurgias de alta complexidade em neurologia, cardiologia, transplantes de fígado e musculoesquelético, cirurgias robótica e bariátrica. Por meio da atuação filantrópica, apoiam na manutenção das atividades de vários Hospitais administrados pela São Camilo no Brasil com atendimento ao SUS.
A Rede de Hospital São Camilo de São Paulo possui Centro de Oncologia e de Hematologia (Transplantes de Medula Óssea) e tratamento com CAR-T-CELL. Referência em urgência e emergência conta com PS Adulto, Infantil e 60+. Possui a Certificação em nível Diamante da Qmentum Internacional, o Selo Amigo do Idoso e as Certificações PALC e ABHH.